Mais uma série de gatos para homenagear o Sr. Guilherme meu avô paterno de quem eu tenho muitas boas recordações e que foi um grande apaixonado por gatos, principalmente por gatos “vadios” como estes que vivem nas pedras do molhe de protecção junto ao mar em Sines.
Ei-lo, quieto,
a cismar, como em grave sigilo,
vendo tudo através a cor verde dos
olhos,
onça que não cresceu, hoje é um gato
tranquilo.
A sua vida é um "manso lago",
sem escolhos...
Não ama a lua, nem telhado a velho
estilo.
De uma rica almofada entre os suaves
refolhos,
prefere ronronar, em gracioso
cochilo,
vendo tudo através a cor verde dos
olhos.
Poderia ser mau, fosforescente
espanto,
pequenino terror dos pássaros; no
entanto,
se fez um professor de silêncio e
virtude.
Gato que sonha assim, se algum dia o
entenderdes,
vereis quanto é feliz uma alma que se
ilude,
e olha a vida através a cor de uns olhos
verdes.